segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

SEM ROSTO





Na mesma cama muitas se deitam.
Deleitam-se.
Hoje sei que nenhuma tem a minha estupidez.
Nem meus olhos silenciosos
E loucos os que não tem minha lucidez.
E nesse jeito perigoso de aceitar
Vou me desconcertando para não tentar.
Homens daqueles que derrubam minha sensatez,
Donos de um jogo que não sei jogar.
Conhecedora da beleza que atrai e trai,
Presa a um vício de manipulação
Arrastamo-me fingindo a mesma adoração.
E na procura meus olhos perdem-se...
E silenciam-se novamente...
Mas jamais desistem.

"Aquele" que acompanhe minhas loucuras, saboreie meu paladar, me embebeda com seu líquido, me torture com suas juras. Valorize meu exagero e não economize suas mãos. Aceite palavras sem nexo e acredite na minha fidelidade. Que aproveite minha bondade e valorize minha paciência.

Meus olhos ainda o procuram...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

FRAGMENTOS DE UM RÉVEILLON

E quando o fim de ano chega, me parecem tão mais difíceis as coisas. Talvez o clima natalino estampado em cada esquina me faça lembrar que nunca tive infância.
A única boneca de pano eu dividia com a irmã mais nova e entre brincar de esconde-esconde, me escondia do PAI, se é que pode chamar assim, alguém que deseja a própria filha.
Meu vestidinho todo comido da traça, sujo porque era com ele que eu passava horas na rua para não ter que voltar para casa.
A mãe, já tão envelhecida, passava o dia limpando a sujeira dos outros enquanto seu marido se divertia.
12 anos. E eu ainda queria brincar de boneca quando senti um corpo estranho entre as pernas. Imaginava os pais das minhas amigas fazendo o mesmo com elas. Nojo de quem era para sentir amor.
Cresci com sentimentos distorcidos de família. Todo natal e fim de ano, quando os fogos avançavam agressivamente no céu as imagens se repetiam. Enquanto a família trocava presentes, ele me enchia de seu líquido repugnante.
Tornei-me mulher e comigo amadureceu minha coragem. Quando ele ainda me tinha pelo medo eu sufocava a verdade.
18 anos. Foi o último Réveillon e a última vez que sua mão passeou pelo meu corpo. Num único movimento, no impulso da repulsa enterrei junto com minha ira e a lâmina brilhou antes de atravessar o coração. Abandonei o corpo nu e nunca mais souberam de mim.
De vez em quando, um homem, sempre de idade avançada e rico é encontrado sem pênis num motel qualquer...

"A vida nos molda e muitas vezes liberta os monstros que existem dentro de nós".

*Ficção baseada na realidade atual. Porque histórias como essa acontecem todos os dias e diante de nossos olhos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PROIBIDO PARA MENORES


DESENHO ERÓTICO DO HÚNGARO ZICHY MIHÁLY.
Me perdi entre suas pernas.
Roçando, amando, explorando com a saliva.
Suas mãos imensas castigavam meu pudor,
Com dor.
Rasgando minhas entranhas na sua sede de possuir-me.
Consumiu-me mais que eu queria e menos que você podia.
Escondi seu membro comprimindo entre minhas paredes.
Sem saber como terminaria a selvageria,
Cravei as unhas na pele suada lambendo com gosto o sangue recente.
Partes carnudas do meu corpo não se recusaram a senti-lo,
Estremeci.
Amanhecemos e ainda o tinha, ME TENDO.
O indício de todo o sexo entregava-se no lençol, no vestígio da brutalidade.
Sucessivamente o Vazio da animalidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

AMOR DE VERÃO

Amor de verão. Aquela paixonite com gosto de maresia que não sobe a serra.

Comigo obviamente SUBIU. Desde meu nascimento a vida mostrou que caminhos seriam tortos e que a facilidade é entediante.
Meu terceiro casamento iniciou-se na areia, com a água batendo na minha zona erógena mais estimada pelos homens. Aquele lugar onde o sol não bate, mas nesse dia o reflexo da lua penetrou.
Esse amor sobe e desce a serra até hoje.
Talvez pela cumplicidade, mesma desenvoltura sexual e insensatez inofensiva necessária. Circunspecção é prejudicial á saúde.
No último verão a UTOPIA converteu-se em FATO CONSUMADO.
Que homem não foi doutrinado desde cedo a desejar um MÉNAGE com duas mulheres?
Nem quarto, nem motel. A areia roçando a pele e a água salgada cobrindo os corpos nus traduz o momento quase PERFEITO.
Voyeurs se completaria o grau de excelência se não fosse por uma particularidade.
Minha ousadia brindou o momento.
Quando para o prazer á três não induzi uma conhecida, amiga ou prima. Mas a irmã caçula.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

FAKE

Fingia tudo tão perfeitamente.
A foto na internet só insinuava seu melhor ângulo. Os lábios bem pintados não ficavam tão sensuais quanto a silhueta distorcida,  para provocar.
E aqueles que a esperteza e inteligência é um dom maior. Aceitavam a provocação.
Conversas soltas, sempre através de um monitor. E o desejo aumentava com a imaginação.
Continuou a fingir. Sem mostrar os olhos e a menina, é fácil SER o que não se é.
Simulava um bom papo, a mulher que tudo quer e tudo sabe.
Tão perfeita que as palavras convenciam. Na web cam o exibicionismo desses homens de alto apreço não a excitava, mas divirtia.
Submissão masculina não é um fetiche. Não para ela. A Deusa de tantos internautas. Com seus mistérios conquistou a confiança de cada um. Dissimulada, enquanto observava o exibicionismo deles pela tela, mandava a imagem diretamente para quem quisesse ver.
Arrumou os óculos pesados sobre os olhos, tomou uma garrafa de extrato de noz de cola e voltou para o balde de pipoca enquanto ajeitava sua gordura mórbida na cadeira.

domingo, 21 de agosto de 2011

ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE

Observou-lhe distanciando-se, os cabelos grisalhos começaram aparecer precocemente, sabia que era a causadora.
Sem remorsos, arrumou o batom pelo espelho do retrovisor do carro e descobriu que era capaz de perceber e ter intuições, mas a faculdade de compreender lhe faltava.
E a culpa nem sempre tem um culpado só. Assumiu o erro que lhe cabia.

Há muito quando chorou em seus braços sem motivos, intuitivamente sabia do fim lento.
E a cama não ficaria mais desarrumada pelo seu exagero leonino, nem os fios de cabelos longos se perderiam pelo lençol. E o cheiro que se misturava há tantos outros.
Mas o seu, tão seu, cheiro suave de um pecado sem precedentes não mais estaria lá.
Pensar assim, a deixava obscura em seu mundinho egoísta. Dispersa em suas próprias ideias.
Um sorriso traiçoeiro surgiu nos lábios quando deu partida e arrancou pisando fundo. Como se tudo que lhe atormentava fosse ficar para trás.

Fez de tudo para que esse fim logo tivesse fim. 
E a dor foi amenizada por outros corpos...

Abriu a janela e atirou o último cigarro. Vício que o o novo Affair não tolerava. O mesmo foi responsável pela ausência da indiferença. Agora parecia que a mulher de pele branca e olhos grandes também tinha um coração.
Continuou a correr pela estrada como se quisesse chegar tão logo. A velocidade lhe excitava. Pernas longas e coxas à mostra. O decote do vestido escondia-se atrás do cinto de segurança. Mesmo assim, não tinha um caminhoneiro que não desviasse os olhos da estrada para admirar aquela vulto de mulher.

Um melancólico suspiro cresceu do seu peito, como aliviada, enfim livre, enfim sentimentos recíprocos. Não o deixaria escapar.

Ainda absorta em pensamentos confusos, esqueceu o salto no acelerador e a velocidade não diminuiu na curva.
Enquanto girava junto com o carro, debatendo-se como uma boneca, não apavorou-se com a morte que era nítida, mas lembrou-se do sonho da noite anterior.
Sua intuição tinha vindo em forma de pesadelo dessa vez. Não era hora de morrer.
Mas a voz que assombrou seu sono lhe contou e repetiu como eco: "Vou separá-los antes de unir".

Os caminhoneiros que ela deixou para trás, agora passavam,  atordoados com a cena.
Entre um amontoado de ferro a silhueta da mulher só podia ser reconhecido pelos cabelos, coberto pelo próprio sangue.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MENINA MÁ

Maria não nasceu propriamente num berço de ouro, mas cresceu com exuberância nos quadris.

Quando ainda dormia de calcinha arrumou um namoradinho robusto, não se perdia nos músculos porque sua genética era grande.

Desagradou a família. Mas era o amor da sua vida. O tempo foi passando e a vaidade e necessidade de conforto aumentando.
A inocência tinha se perdido há muito e a astúcia de uma mulher madura gritava nos olhos azuis.

Maria não desperdiçaria a beleza herdada da mãe com uma barriga flácida encostada num tanque. Mas e o namoradinho sem cérebro era necessário em sua vida.

Não foi difícil arrumar o marido. Doutor e apaixonado. Vinte anos mais velho. Perfeito. Sem o viço da juventude não acompanharia a jovem e bela esposa. Maria tinha quem desse conta do seu ímpeto exagerado.

Manipuladora, seu joguinho de sedução com o marido sempre o deixava louco. Bastava sentar na cama, rostinho desavergonhado. Abria as pernas sem desviar o olhar. A mão delicada puxava a calcinha para que o Doutor tão acostumado com botãozinhos admirasse o mais perfeito.

E pronto. Não precisava muito e o marido todo orgulhoso balançava o membro esporrado.

Maria satisfeita com a satisfação do marido. Pulava da cama e voltava à calcinha para o mesmo lugar, enterrada até o útero.

Com um beijo habitual despediu-se do marido e foi para sua MALHAÇÃO.