quarta-feira, 21 de julho de 2010

HELENA



Todo dia era como se fosse o mesmo, sustentado pela monotonia e repetição de atitudes.

 Na ordem de hábitos que eu mesmo acostumei.
E toda manhã passava pela mesma rua e mesmo horário.
Mas essa ordem foi alterada quando desviei os olhos do chão para a janela da casa amarela.
Debruçada, assemelhava-se a uma pintura. Os cabelos longos e negros cobriam o busto seminu.
Retribui seu sorriso com outro.
E minhas manhãs enfim tinham um motivo delicioso para passar naquela rua. Sem demora encorajei-me a perguntar seu nome. Movimentou os lábios num sussurro que nem escutei sua voz. Mas entendi:HELENA!
No dia seguinte, a morena não estava  na janela, mas recostada na porta entreaberta.
A camisola vermelha  impedia a transparência mas revelava as curvas. Fez um sinal discreto com a cabeça me convidando a entrar.
Com o coração em pulsação violenta entrei.
Helena caminhou até seu quarto e a segui.
Entorpecido e excitado observei cada movimento seu.
Só escutava minha respiração.
Despida de pudor, minha imaginação confundiu-se a realidade. Foi tudo rápido, ao mesmo tempo que nossos corpos rendiam-se no calor do sexo, senti seus lábios gélidos percorrendo meu membro e os gritos arrepiavam-me. Não lembro como fui embora, desnorteado com tanto prazer.
Dias seguintes, a morena desapareceu, não mais a vi debruçada na janela.
Até eu me encorajar e bater à sua porta.
Uma senhora de mesmos cabelos negros e longos me atendeu. Seu sorriso simpático sumiu tão logo perguntei sobre Helena.

Minha filha? Percebi que o olhar perplexo umedeceu.

"Morreu! Há 2 anos!"
E nunca mais passei por aquela rua, observei aquela janela... Onde a morena de cabelos longos e cacheados me dizia com os olhos...