segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PERMITA-ME MORRER



Meus seios avisaram. Na doença do sexo, acabei-me.
Emagreci com manchas pelo corpo e a pneumonia insistente parou com meu vício.
Não imaginei, que o meu único prazer levaria minha vida.

E agora, grito por dentro, porque forças me faltam. Não há ninguém para escutar.
Abandonada na cama, palco de orgias.

Se tudo pode chocar.
A mim, nem as mulheres que eu me deitava...
Nem o líquido dourado invadindo minha boca. Porque porra é comum.
Nem vários homens me cobiçando e me dividindo grosseiramente juntos nessa cama...
Nessa cama... Que resta um corpo de pele e osso.

Nunca evitei os exageros, mas sim o látex porque me depreciava com alergias.
Desejei a morte muitas vezes, mas agora essa palavra me atinge estranhamente. Sem hipocrisia. Tenho medo.

A beleza me trouxe homens e mulheres aos meus pés.
Aproveitei-me para querer, ter e ser.
E  um mundo intenso surgiu diante da minha solidão.

Nenhum homem que antes beijava meu sexo, encoraja-se a me abraçar.
Meu perfume lúbrico confunde-se com o cheiro fétido da minha pele.
Já perdi a perfeição, me restaria o caráter, se tivesse.

Toda crueldade praticada é como o reflexo de um espelho...
Barbaridades multiplicadas me afetam
Não acredito em pecados
Sei o que é errado, tornei meu hábito e acredito no certo incerto.

Amei todos os homens e muitas mulheres.
Amei até aquele que já mortificado pela doença possuiu-me sem remorso.
Pela moléstia fatal e por ser meu PAI.