terça-feira, 11 de janeiro de 2011

QUARTO 1011



Morava no apartamento 1011 em Trancoso. Enquanto trabalhei no Club Med, no SPA fazendo massagem.
O quarto ficava no final de um corredor escuro, atravessá-lo era tão perturbador quanto a sensação que alguém tinha sido estuprada naquele quarto.
Cada vez que eu passava, sons desconhecidos, esquisitos ou excessivos atravessavam as portas.

Contribuindo com o ambiente, como aqueles livros do Stephen King, lembrei de uma frase famosa do mestre do terror: "Os monstros existem. Os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós. E, ás vezes, eles ganham".
Mas queria que meus fantasmas continuassem dentro de mim, quando vi aquela senhora arrastando a perna pelo corredor em minha direção. Fechei os olhos para a imagem desaparecer.
Ao abrir, a senhora estava à minha frente, sorrindo e batendo em meu ombro. Foi quando percebi que não era um fantasma.
Aproveitei e perguntei sobre o quarto 1011. Contou-me que a última garota que ali morou, tinha a mesma impressão. De um estupro.
Nessa mesma noite, recolhi-me mais cedo. Estava cansada demais para fazer algo diferente que não fosse dormir.
Até hoje não sei se foi sonho. Mas sei descrever todas as cenas que presenciei naquela madrugada em meu quarto. Não estava sozinha, era só uma telespectadora e os personagens não me viam.
O casal chegou bem alegre, ela só conseguiu parar de rir quando caiu na cama ressonando, totalmente desmaiada. Nitidamente bêbado e excitado ficou furioso e consequentemente agressivo.
Jogou a moça no chão e arrastou-a pelo quarto até acordar. Cobriu sua boca para não gritar e mandou que tirasse a roupa.
Assustada recusou despir-se. Ele transtornado rasgou com a boca seu vestido, esbofeteou seu lindo rosto e proferiu palavras como Vagabunda e ordinária enquanto a forçava ficar de quatro.
A penetrou até sangrar, já faziam uns 15 minutos que estava desmaiada.
Despertei do pesadelo atemorizada, nada tinha no quarto, mas o cheiro do sexo forjado e o sangue criminoso o chão absorveu com as marcas das unhas que tentaram segurar a dor.

Mais tarde, conversando com funcionários do Hotel, descobri que uma garota foi estuprada naquele quarto, engravidou e tentou o suicídio se jogando do segundo andar. Não morreu, o aborto aconteceu  e decidiu ir embora para França.

Uma história verídica contada entre terapeutas de um spa.

6 comentários:

  1. Tenho mais medo dos vivos do que dos mortos.

    Abraços

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  2. Narrativa eletrizante. A composição da cena na minha cabeça foi impressionante. Q escrita, hein?

    Bjs =***

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  3. Depois eu é que sou a terrivel ... ótimo conto.

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  4. Ótima história, muio bem tramada, cheia de intensidade. Abraços!

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  5. Tem selo pra tu no ú&e luxúria inocente.

    bjs

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  6. Intenso e forte, como tudo por aqui!
    Muito bom!

    Beijo

    p.s.: Concordo com o Fábio: tenho mais medo dos vivos!

    MeninaMisteriosa

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