quarta-feira, 4 de novembro de 2015

RISCOS E RABISCOS


                                     Encontrado em salmaashraf.deviantart.com

De repente foi ficando cada vez mais fácil aceitar.
Todo e qualquer pesadelo que viesse do seu lençol.
Lembrei o que eu fazia enquanto me despia. Sem erros. Sem medidas. Só uma penumbra. Cobria retorcidamente nossos corpos.
Ele rabiscou meus olhos num pedaço de papel, sem a mesma intensidade do mar.
Escondido do lado esquerdo do peito carregava meu segredo. Nem à minha sombra revelei. Com medo que o dia chegasse mais rápido. Apertei meus lábios contra os seus, tentando calar-me do que eu tinha que contar.
Mas a vontade de entregar-me superou razões.
Me perdi entre seu sexo. Tudo agora tinha nexo, menos o fim.
Lambuzei-me do seu líquido esperando seu perdão no gosto tão amargo.

Nem a lua refletida na Iris dos olhos castanhos sumiu diante a verdade, porque as lágrimas não surgiram. Quanta dor poderia ser evitada se eu não tivesse caráter.
Respeitei o silêncio ressentido. Nenhuma palavra poderia ser dita. Só um gesto foi a certeza da despedida.

Um beijo carinhoso em meu ventre. Naquele que sabia, não poderia ser seu filho.

2 comentários:

  1. O fim, verdade, nunca tem nexo. E há momentos em que me pego pensando se tenho certeza de determinadas despedidas...

    Beijo, Pati linda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nunca temos a certeza, nem do fim e nem do começo. Sempre bom te ver por aqui Flávia! Bjsss

      Excluir