terça-feira, 12 de junho de 2012

O DIA dos namorados


Esperou o sinal abrir com o pensamento acelerado, sempre imaginando que algo de extraordinário iria acontecer. Passar mais um Dia dos Namorados sozinho, lhe angustiava. Queria tanto um corpinho cheio de curvas para segurar embaixo das cobertas nesse frio que estava fazendo.
Beijar até sentir os lábios amortecidos. Tão simples era seu desejo!
Sabia que era um homem bonito, inteligente, mas sem limites. E isso é que assustava as mulheres mais interessantes aos seus olhos. Olhos que perdiam-se nas PROIBIDAS.
Na namorada do amigo, na mulher do vizinho, na tia gostosa. O pai, que de bobo não tinha nada e conhecia a cria. Tentava limitar o filho, antes que o perdesse por um tiro na cara de um marido enfurecido.
E o vermelho ainda reluzia, quando percebeu a loira atravessando a rua. Linda de morrer, daquelas que parecia existir só em revistas. Praticamente largou o carro na calçada para segui-la entre os cabides da sessão feminina da loja que ela entrou. Não foi difícil pegar o número do celular. Voltou para casa sem conseguir desmanchar o sorriso cheio de segundas intenções.
Ligou por dias, mas foi na véspera do Dia dos Namorados que uma voz cheia de charme atendeu. Depois de alguns anos teria uma companhia interessante para o dia mais chato do ano? Quando o fazia lembrar que quantidade sem qualidade ainda o fazia um solteirão solitário!
Seu ego avolumou-se quando a imagem deslumbrante passou entre as mesas do restaurante e sentou-se a sua frente.
A loira não fez rodeios, foi clara, direta e absoluta. 
Ele olhou para todos aqueles pratos sobre a mesa e o estômago retorceu. E a ânsia deu lugar ao pânico quando o marido da loira sentou-se com eles. 
Caiu na armadilha, no Dia dos Namorados ganhou de presente um Ménage à Trois.

4 comentários:

  1. Não havia mais o que fazer, era pegar ou largar e ele... nunca foi de largar.
    Olhares vorazes jantaram-se à refeição. Conversas fluiam como um pano de fundo, como um disfarce, um prelúdio; as atenções eram só dela, havia algo interessante - na concepção dele - não havia competição entre eles.
    A conta foi naturalmente dividida, sairam como se houvesse uma combinação pré-estabelecida e, no carro dele, foi guiado até uma casa afastada, no banco de tráz o casal já se pegava, ela se posicionava ao lado oposto ao seu para que ele a visse ser beijada, para que ele visse o desejo em seus olhos embriagados. A casa estava vazia, nada além de um sofa, uma mesa e uma cadeira... entraram atabalhoados e em segundos estavam nus, aquela mulher era maravilhosa, exigiu tudo de ambos e quando ele pensava que não seria capaz de mais nada, ela lhe avivava e de forma mais intensa o devorava, não só ele, ela tratava ambos com benevolência extrema. Tudo era possível e permitido, até que sentiu aquela pontada aguda nas costas e depois no peito... a visão já turva do punhal reluzindo nas mãos do algoz. "Meu pai tinha razão!" foi o último pensamento que lhe escorreu junto a poucas lágrimas.

    "Talvez eu morra jovem,
    alguma curva do caminho,
    algum punhal de amor traído,
    completará o meu destino.
    Baby!"

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  2. Uma história e uma continução perfeitas. Bem adequada para os dias de hoje.

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