domingo, 12 de fevereiro de 2012

ATRÁS DAS SOMBRAS


Estou a procura nos caminhos mais tortos. Mas ninguém pode me proibir que tropece nas maiores pedras. Porque a subida será bem melhor pelos meus próprios pés.
Encostei-me na parede e fechei os olhos. O que antes era um lar. Agora só o eco me fazia companhia.
Nem as vozes do outro lado das paredes, nem as brigas. Até mesmo os ratos no sótão me aterrorizavam com seu silêncio.
Tinha que ser assim. Desapegar da rotina, do conforto lentamente até onde pudesse tolerar. Nem mais e nem menos, suficiente.

Expulsei um por um dos meus amores, até onde meus olhos não vissem e meu coração não sentisse.
E um por um voltaram.
Rejeitei, porque era comigo que eu queria estar.

Não deixei de viver. Mesmo que a tristeza quisesse me tomar e me encostava no travesseiro a encharcá-lo de toda minha mágoa.

Aprendi que a solidão não existe dentro de nós, só quando permitimos. E quando acomoda-se, nos derruba para quase nunca mais levantar.

Errei tanto que meus olhos não pesavam mais. E as noites seguintes acordada, escutando o silêncio de sons que já não existiam mais, dilaceravam meu íntimo, calejando um coração cada vez mais cruel.

Apertei meus dedos contra qualquer coisa que pudesse arrancar minha pele e cortar até sangrar. Caída entre tantas coisas de um passado, me senti abandonada pela única pessoa que meu coração chorou.

Mas antes que o desfecho fosse melodramático, ouvi o ruído do cadeado sendo aberto e a única voz que todos aqueles dias meu ouvido procurou escutar:
MÃE! CHEGUEI!