quinta-feira, 25 de julho de 2013

DOS MEUS AMORES EU ME BASTO


Dias de dissabores, eu me protegia entre meus lençóis tão sozinha, dos meus amores.

Nem ele, nem outros, nem tantos poderiam saber o que eu trazia no peito e gritava entre aquelas paredes. Eu tinha tantos e ao mesmo tempo, nenhum. Por que na hora mais escura, no dia mais calmo, nenhum calor humano me aquecia.

Sentar na cama depois do sexo, para pensar o que era certo. No espelho ainda sujo da noite anterior, refletia minha imagem de cadela no cio. Mas eu não passava de uma mulher incomum, que todas queriam ser.
                                                                   ***
Nem o olhar mais reprovador... Se meu coração é só razão. Nem os gritos, nem lágrimas, me diziam o que fazer.
Só eu sei qual é a minha verdade. Por que tantas decepções me mostraram, que não se confia nem na sombra. Que desapego é o antídoto.
                                                                   ***

Meus olhos sempre procuraram os deles. Todos subestimavam minha astúcia, mas eu não fingia arrogância. Eu era arrogante. Alguns podem chamar de vingança, mas eu sei, preferi alimentar só o monstro dentro de mim e o resto... O resto deixei morrer.
                                                             
                                                                   ***
Eles confiavam no meu olhar meigo, na timidez quase imperceptível. Acreditavam nas histórias verdadeiras cheias de dissimulações, para ocultar o que só eu precisava saber. Eu lhes dava o chão, a certeza, o atrevimento de que tudo era para sempre. Mas quando se acredita na metamorfose da vida, nada é para SEMPRE e o NUNCA não existe.

O moreno de sorriso fácil, era o mais egocêntrico. Porque egoísmo faz parte do rol de qualidades/defeitos de um homem. Todos, sem exceção.

Na pele tatuada, um nome com sobrenome. De tom mais escuro dos meus amores, suado do sexo intenso. Deixou sua saliva onde passou pelo meu corpo. Lambuzando-me de sua cobiça.
Queria fazer amor, mas a agressividade com que chegou no mais fundo da minha intimidade, deixou vestígio. O sangue sobre o lençol denunciou seu desejo em "me ter".
Quase como um estupro.
Mas era o que eu gostava, do agressivo, do bruto. Muitas vezes eu torturava, até chegar a um estupro... Mental.

Na última vez deitou-me sobre a areia, a ideia de parecer romântico dizia-me pouco sobre ele. Fim de tarde, em Abril aquela praia era pouco movimentada. Como tudo que eu fazia era premeditado, meu vestido suavemente transparente cobria o corpo nu.
Antes que sentisse suas mãos pelo meu corpo, levantei-me e corri para as pedras. Atrás de mim, sentiu meu perfume pela brisa.
Entre as pedras me possuiu.
Ondas mais fortes cobriram nossos corpos. Meu vestido revelou ainda mais minhas curvas que ele tanto gostava.

E o que me fazia diferente, é ir onde ninguém ia. Abraçados, observando o mar, depois de liberar endorfinas, eu lhe contei o que jamais imaginou ouvir da boca que tanto lhe dava prazer.
Perigosamente mostrei que "único" na minha vida, era só meu passado. E eu falava no plural.
Chocado pela confissão, perdeu cor, os olhos tentaram disfarçar, mas não conseguiram segurar a tristeza.
Levantou-se inseguro. Homem custa a acreditar que nossa crueldade possa ser maior que a deles.
Tentei lhe dar um abraço hipócrita.
Afastou-se e aproveitei quando me deu as costas para empurrá-lo entre as pedras.
Com um pouco de medo espiei a cena. Ele tinha sangue na testa,
                                                                  ***
Acordei num sobressalto e respiração angustiante, mas aliviada quando percebi que era só um pesadelo. Ainda estávamos ali deitados sobre a areia. Desisti de confiá-lo meu segredo. Por mais que eu tivesse perversidade, eu não queria assassiná-los. Só matá-los um a um dentro de mim.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ...


Ingenuidade virginal ainda, em seus 15 anos, Paty apaixonada por cinema, não podia ter arrumado melhor namorado que um dono de vários cinemas da sua cidade. Mais velho, experiente e bem dotado. 

Talvez não precisasse ser tão bem dotado, porque a maldita membrana elástica era elástica demais. E a primeira vez, pode ser inesquecível, mas não por prazer e nem por amor... Só a dor e o desconforto que a inexperiência traz é lembrada de uma primeira vez...

Numa noite estimulante, quando o verão está no ápice, foram assistir *Veludo Azul no cinema novo que seu namoradinho estreou. Bristol, com veludo vermelho nas paredes, parecia mais um teatro. Resolveram ficar no segundo andar, ainda fechado para o público. Ao lado da sala de projeção, onde os funcionários não os viam.

Provocante, a saia branca salientava o bronzeado. O filme rodando na tela, na cena em que a personagem de Isabella Rossellini ( Dorothy) senta numa cadeira em frente ao Dennis Hopper (Frank), abre as pernas e sobe o roupão de veludo azul mostrando toda sua nudez.

Ambos exaltados pela cena e pelo momento, Paty senta em seu colo e ele retira sua calcinha com cuidado. Toca seu sexo e sem conter-se a empurra para a parede, talvez os funcionários da sala de projeção sabiam o que estava acontecendo.
Com a saia levantada a jogou no chão para mais uma vez tentar.  Paty queria força, mas o medo de machucá-la o fez parar.

Mesmo assim não disfarçaram as risadinhas cheias de malícia na saída do cinema, descabelados e suados. Era só o começo.

Quando chegaram em casa, o pai cheio de perguntas sobre o filme, respostas evasivas quando foram interrompidos por uma exagerada gargalhada da mãe. Chamou a filha num canto e mostrou a mancha de sangue na saia branca. A mãe ingenuamente achou que era o "Chico".

*Veludo Azul (Blue Velvet) - Um longa-metragem, gênero suspense que fez sucesso em 1986. Considerado um filme Surreal.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

PELOS OLHOS DE UM VOYEUR

Desci a escadaria, o vestido plissado não era branco, mesmo assim ele observou minhas coxas no descuido propositadamente. Tinha o mesmo descuido nos cabelos emoldurados pelo vento.
As madeixas caindo pelo colo o excitaria tanto quanto minhas pernas.
Eu não gostava, mas seu olhar era como uma poesia eroticamente desenhada.
Eu sabia, seus olhos demoravam horas em mim. E eu aproveitava do voyeurismo para provocar.

Ele era só um motorista, me cercando de cuidados cada vez que me levava para algum lugar.
A vida me foi caridosa em todos os sentidos e a genética herdada do pai, me tornava a garota preferida do colégio.

Quando os dias mais ensolarados chegavam, a provocação não vinha só da saia curta, mas os primeiros botões da camisa estavam sempre desabotoados até chegar ao portão do colégio.
E o espelho retrovisor interno estrategicamente colocado, no banco de trás eu preferia estar.
Descia arrumando a calcinha, não passava despercebido para "olhos verdes" como eu o chamava.

Os anos foram passando, a maioridade chegou e como toda moça de família tradicional casei. O sexo ainda mais tradicionalista me tornou apática. Mas o dinheiro era minha consolação.
Nunca esqueci de "olhos verdes", trocamos poucas palavras em alguns anos, mas minha intimidade com ele era muito maior do que com meu marido. Que a princípio, me tocava, conhecia meu sexo, mas não meus desejos.

"Olhos verdes" nunca me tocaria, observava e eu permitia. Esse era o limite para nossa intimidade.

Nossas experiências sustentaram um casamento de aparências.
Na hora do sexo convencional, lembrar de detalhes e situações faziam-me ser o que sempre fui.
Perversa.

Recentemente completado meus 18 anos e muito mais atrevida. Nos compreendíamos na troca de olhares pelo espelho do carro.
Sentei atrás, onde pudesse ver-me mais facilmente. "Olhos verdes" estava me levando em uma festa de amigos. Descruzei as pernas, levantando um pouco mais o vestido de tom brilhoso. Arregalou os olhos quando ergui o quadril colocando a mão por baixo do vestido.
Sem pressa deslizei as mãos até o joelho trazendo a calcinha. Percebi sua respiração já um tanto ofegante e a nuca transpirando.
Tirei uma perna da calcinha e a ergui no banco. Não resistiu e desceu o espelho até a imagem que lhe fez ter o primeiro orgasmo da noite.
Fechei os olhos e me acariciei. Imaginando seus dedos dentro de mim. Arrancou no sinal verde sem a menor pressa e não importando-se com as buzinas. Os vidros embaçados pela nossa respiração. O cheiro de sexo, mesmo sem sexo.

Exagerei quando levantei-me e lhe dei as costas, de joelho e abraçada ao porta-malas, levantei o vestido até ele poder visualizar o que mais os homens veneram.

Gemidos abafados rendeu-se ao segundo orgasmo dele.

Eu queria mais. Provoquei, com atitudes sem palavras. E da mesma maneira ele me respondeu.

Quando o toquei, já quase lhe beijando, sua fisionomia alterada saiu do carro e abriu a porta do passageiro me pedindo com os olhos compreensão.
Retirei-me deixando vestígios.

sexta-feira, 8 de março de 2013

DAS MINHAS MENTIRAS TUDO É VERDADE

" OU SERIA, DAS MINHAS VERDADES TUDO É MENTIRA..."

Cantarolei a canção que contava nossa história.
Cravei seu nome no meu tornozelo. Mas nada sangrou mais que a dignidade. Naquele círculo vicioso onde vidas entrelaçavam-se, descobri que eu tinha ligação com toda a "gente".
Diretamente ou não, meu nome fazia parte do enredo.
Sem poder fugir da culpa, que não era minha. Mas vista do "outro lado", sempre foi.
A arte imita a vida, quem disse NÃO, estava errado.

"O passado que me trouxe tais (a)venturas. Cheias de detalhes, chocaria até o mais pervertido dos meus amigos."

Na manhã daquele domingo, foi a primeira vez que nos vimos dos 20 anos de encontros e desencontros.

Mas foi um tempo depois ao som de pura sensualidade, que ele percebeu o tamanho do meu quadril. Agarrou-me pelos cabelos no banheiro e afundou -se de prazer ao arrancar a lingerie. Trancados no toalete masculino do bar, a saída tinha que ser Surreal.
Toda descabelada e ele inebriado, nem tanto pela cerveja, mais pelo meu perfume. Pegos de surpresa, a namoradinha do cafajeste nos esperava com uma garrafa vazia de Tequila na mão.
Nem preciso dizer que acabei a noite num hospital com um corte profundo na testa.
Mas o alvoroço foi maior, pelo simples fato de que sua namoradinha, era minha amiga.
Sim, eu sabia deles.
Não, eu não traí uma amizade.
Tudo fica muito confuso, quando as coisas são vistas na ordem que a vida mostra.
Mas nesse enredo eu era a vítima. E as ordens das coisas trocadas.
Sempre existiu o NÓS. Mesmo casados, separados, enamorados (com terceiros), fazíamos parte de um romance que só NÓS admitíamos.
E ELAS chegavam depois, confiando segredos que eu não precisava saber.

"Para sempre", só o ar que respiramos. E a situação cômoda esgotou-me. Cortei o mal pela raiz antes que deixasse vestígios.

Foi o último encontro dos 20 anos de mentiras e verdades. Não premeditei.
Só fiz escolhas. Fatigada do diz-que-diz.
Nos encontramos no quarto do motel de costume.

Caprichei no decote. Mas foi a lingerie que ele tirou com a boca.
Nua, de meia 7/8, ainda com o salto de 20 cm. Me observou de baixo.
Mas foi quando o virei de quatro e amarrei suas mãos que o medo apareceu. De chicote nas mãos, me senti radiante sobre um homem numa postura submissa.
Mas ainda era pouco, muito pouco.
Segurei a cabeça com o salto enquanto talhava as costas.
Nem seus gritos e nem o sangue sobre o lençol me fizeram parar.

O prazer de lhe fazer conhecer a dor por meio da arte, me seduziu. Não consegui conter

E o chicoteei até a morte.



domingo, 20 de janeiro de 2013

ENTRELINHAS DE LUXÚRIA


Ariel, até no nome gostava de confundir.
De origem Hebraica, originalmente masculino. Depois que a Disney criou a pequena sereia Ariel, a regra mudou.
Os cabelos longos e levemente ondulados, as curvas acentuadas e os lábios suculentos condiziam a uma personagem daquelas que acreditamos não existir. Mas Ariel só não existia, como aterrorizava a mente masculina e feminina que tinham o prazer em conhecê-la ou simplesmente cruzar seu caminho.

Num instante carinhosamente afagava um cãozinho e condoidamente podia recolhê-lo do frio. No momento seguinte, ninguém podia imaginar o que a moça do interior, cheia de vida, energia e a intensidade querendo confrontar com o mundo, era capaz.

Cidade pequena tem que ter muita discrição, qualquer coisa fora do comum, cai na boca do povo. Distorcido. Mas tudo que Ariel fazia, não tinha como ficar pior na língua mais ferina. Discreta, ninguém sabia de seus amores.
Não era amiga, era perdição.

Santana do Itararé, com uma população que foi reduzindo conforme os anos foram passando, cerca de 6.000 habitantes. Na festa tradicional Santa `Ana e religiosa. Ariel e suas amigas se preparavam para os dias seguintes. Sabendo que caras novas circulariam pela cidade.

Vestido e sapato novo. Na idade em que os hormônios não se reprimem e desequilibram, as espinhas denunciam toda e qualquer intenção. Já tinha colorido mechas loiras no cabelo ruivo, mas eram o azul turquesa dos olhos que mais impressionava. Enquanto suas amigas sofriam tentando esconder o brilho do rosto, Ariel tinha uma pele pessegada e sem modéstia dizia: "Genética boa, tenho eu. Veja meus peitinhos."

E sem vacilar os exibiam durinhos, arrendondados e o bico ereto explodindo de desejos. Vanessa, quando chegou nos seus 15 anos já não conseguia mais passar despercebida dos olhos mais astutos. Ariel sabia bem qual era da amiga masculinizada.

"Vem amiga, segura nos meus peitos, deixa de ser boba, vem!" As outras entreolhavam-se amedrontadas. Mas ninguém atrevia-se falar alguma coisa. Sem a amizade de Ariel naquela pequena cidade, era estar só. Maliciosamente fingiam, obedeciam as regras que a Musa de Santana delicadamente infligia.

Vanessa corou, o coração bateu tão forte que quase o sentiu na boca assim que encostou os dedos no mamilo. Ariel puxou suas mãos e as colocou sobre seu peito. "Pegue de verdade!"
Sentí-los novamente a fez lembrar de algumas situações de dois anos antes.

13 anos de pura curiosidade. E as duas sempre juntas, até banho tomaram algumas vezes.
Foi quando descobriram a sexualidade de uma maneira nada tradicional. Vanessa apaixonou-se pela amiga e revelou-se bissexual. Não gostava de relembrar a última vez, a saudade surgia com a mágoa. Ariel tinha desejos indiscretos ao explorar o que ainda não conhecia.
A perversidade nasceu na personalidade um tanto obscura de sua beleza exótica, para conseguir qualquer coisa. Manipuladora.

Sozinhas em casa, os pais de Vanessa tinham saído e o irmão brincava no vizinho. Certificaram-se que todas as portas estivessem trancadas, coisa boa não tinham em mente. Ariel preferia estar com o irmão da amiga, mas esse ainda brincava de bola e esconde-esconde. Meninas amadurecem tão antes!

Até aquele dia só haviam trocado carícias. Mas Ariel queria muito mais.
Na cama dos pais da amiga deitou-se completamente nua. Abriu as pernas e nem precisou pedir para que logo sentisse a língua entre seu sexo.
Quando chegou sua vez, recusou. " Não gosto, o macho aqui é você. Fique de quatro, vou lhe dar prazer de outra forma."
Explorou o botãozinho da amiga com pouca delicadeza, mesmo ela queixando-se de dor. Tirou o cinto da calça e marcou seu corpo. Onde os sinais que fez em sua pele sangraram, Ariel saboreou com a língua.
Vanessa nunca soube dizer o que ela penetrou e confusa não sabia que macho gostava daquilo. Não sentiu prazer, mas uma dor horrível.
"Está sangrando, mas é normal. Logo passa."
Bateu a porta e foi embora, nunca mais ficaram juntas. E demorou uma semana para Vanessa conseguir sentar.

Voltando a realidade suas mãos ainda seguravam os peitos da amiga. Talvez com força maior que deveria, porque só quando encarou os olhos cheios de dor de Ariel e pavor das outras amigas percebeu o sangue em suas unhas.
" Nossa, está sangrando! Desculpa, logo passa!