quinta-feira, 2 de maio de 2013

PELOS OLHOS DE UM VOYEUR

Desci a escadaria, o vestido plissado não era branco, mesmo assim ele observou minhas coxas no descuido propositadamente. Tinha o mesmo descuido nos cabelos emoldurados pelo vento.
As madeixas caindo pelo colo o excitaria tanto quanto minhas pernas.
Eu não gostava, mas seu olhar era como uma poesia eroticamente desenhada.
Eu sabia, seus olhos demoravam horas em mim. E eu aproveitava do voyeurismo para provocar.

Ele era só um motorista, me cercando de cuidados cada vez que me levava para algum lugar.
A vida me foi caridosa em todos os sentidos e a genética herdada do pai, me tornava a garota preferida do colégio.

Quando os dias mais ensolarados chegavam, a provocação não vinha só da saia curta, mas os primeiros botões da camisa estavam sempre desabotoados até chegar ao portão do colégio.
E o espelho retrovisor interno estrategicamente colocado, no banco de trás eu preferia estar.
Descia arrumando a calcinha, não passava despercebido para "olhos verdes" como eu o chamava.

Os anos foram passando, a maioridade chegou e como toda moça de família tradicional casei. O sexo ainda mais tradicionalista me tornou apática. Mas o dinheiro era minha consolação.
Nunca esqueci de "olhos verdes", trocamos poucas palavras em alguns anos, mas minha intimidade com ele era muito maior do que com meu marido. Que a princípio, me tocava, conhecia meu sexo, mas não meus desejos.

"Olhos verdes" nunca me tocaria, observava e eu permitia. Esse era o limite para nossa intimidade.

Nossas experiências sustentaram um casamento de aparências.
Na hora do sexo convencional, lembrar de detalhes e situações faziam-me ser o que sempre fui.
Perversa.

Recentemente completado meus 18 anos e muito mais atrevida. Nos compreendíamos na troca de olhares pelo espelho do carro.
Sentei atrás, onde pudesse ver-me mais facilmente. "Olhos verdes" estava me levando em uma festa de amigos. Descruzei as pernas, levantando um pouco mais o vestido de tom brilhoso. Arregalou os olhos quando ergui o quadril colocando a mão por baixo do vestido.
Sem pressa deslizei as mãos até o joelho trazendo a calcinha. Percebi sua respiração já um tanto ofegante e a nuca transpirando.
Tirei uma perna da calcinha e a ergui no banco. Não resistiu e desceu o espelho até a imagem que lhe fez ter o primeiro orgasmo da noite.
Fechei os olhos e me acariciei. Imaginando seus dedos dentro de mim. Arrancou no sinal verde sem a menor pressa e não importando-se com as buzinas. Os vidros embaçados pela nossa respiração. O cheiro de sexo, mesmo sem sexo.

Exagerei quando levantei-me e lhe dei as costas, de joelho e abraçada ao porta-malas, levantei o vestido até ele poder visualizar o que mais os homens veneram.

Gemidos abafados rendeu-se ao segundo orgasmo dele.

Eu queria mais. Provoquei, com atitudes sem palavras. E da mesma maneira ele me respondeu.

Quando o toquei, já quase lhe beijando, sua fisionomia alterada saiu do carro e abriu a porta do passageiro me pedindo com os olhos compreensão.
Retirei-me deixando vestígios.

2 comentários:

  1. Ariévilis é o anagrama de Silveira.

    Uma dica, não leve a sério aquela página de frases desse incógnito. A maioria das frases dali não são dele. (talvez por isso mesmo se mantenha anônimo)

    ResponderExcluir
  2. Uma delicia este conto. Fiquei exatamente igual a "olhos verdes".

    ResponderExcluir