sexta-feira, 8 de março de 2013

DAS MINHAS MENTIRAS TUDO É VERDADE

" OU SERIA, DAS MINHAS VERDADES TUDO É MENTIRA..."

Cantarolei a canção que contava nossa história.
Cravei seu nome no meu tornozelo. Mas nada sangrou mais que a dignidade. Naquele círculo vicioso onde vidas entrelaçavam-se, descobri que eu tinha ligação com toda a "gente".
Diretamente ou não, meu nome fazia parte do enredo.
Sem poder fugir da culpa, que não era minha. Mas vista do "outro lado", sempre foi.
A arte imita a vida, quem disse NÃO, estava errado.

"O passado que me trouxe tais (a)venturas. Cheias de detalhes, chocaria até o mais pervertido dos meus amigos."

Na manhã daquele domingo, foi a primeira vez que nos vimos dos 20 anos de encontros e desencontros.

Mas foi um tempo depois ao som de pura sensualidade, que ele percebeu o tamanho do meu quadril. Agarrou-me pelos cabelos no banheiro e afundou -se de prazer ao arrancar a lingerie. Trancados no toalete masculino do bar, a saída tinha que ser Surreal.
Toda descabelada e ele inebriado, nem tanto pela cerveja, mais pelo meu perfume. Pegos de surpresa, a namoradinha do cafajeste nos esperava com uma garrafa vazia de Tequila na mão.
Nem preciso dizer que acabei a noite num hospital com um corte profundo na testa.
Mas o alvoroço foi maior, pelo simples fato de que sua namoradinha, era minha amiga.
Sim, eu sabia deles.
Não, eu não traí uma amizade.
Tudo fica muito confuso, quando as coisas são vistas na ordem que a vida mostra.
Mas nesse enredo eu era a vítima. E as ordens das coisas trocadas.
Sempre existiu o NÓS. Mesmo casados, separados, enamorados (com terceiros), fazíamos parte de um romance que só NÓS admitíamos.
E ELAS chegavam depois, confiando segredos que eu não precisava saber.

"Para sempre", só o ar que respiramos. E a situação cômoda esgotou-me. Cortei o mal pela raiz antes que deixasse vestígios.

Foi o último encontro dos 20 anos de mentiras e verdades. Não premeditei.
Só fiz escolhas. Fatigada do diz-que-diz.
Nos encontramos no quarto do motel de costume.

Caprichei no decote. Mas foi a lingerie que ele tirou com a boca.
Nua, de meia 7/8, ainda com o salto de 20 cm. Me observou de baixo.
Mas foi quando o virei de quatro e amarrei suas mãos que o medo apareceu. De chicote nas mãos, me senti radiante sobre um homem numa postura submissa.
Mas ainda era pouco, muito pouco.
Segurei a cabeça com o salto enquanto talhava as costas.
Nem seus gritos e nem o sangue sobre o lençol me fizeram parar.

O prazer de lhe fazer conhecer a dor por meio da arte, me seduziu. Não consegui conter

E o chicoteei até a morte.