segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

SUA COMPANHIA PELA ÚLTIMA VEZ


Adorava o cabelo de 3 tons. Mas não eram as mechas que lhe davam o charme. Nem os olhos grandes acastanhados.
Seu charme estava no jeito de levar a vida.
Ele a tinha até do avesso se quisesse. E sempre queria.
Mas começou a perdê-la dentro do quarto, esquecê-la do outro lado da linha e a caixa de entrada do e-mail sempre vazia.
Era perfeita, tolerava a grosseria e sabia dividi-lo tão bem numa cama.
Mas a cobrança não era feita em forma de palavras. Então ele só soube tarde demais.
Tinhosa e teimosa. Observando cada olhar dele perdido em outros decotes, as mãos deslizando silhuetas não tão macias, tinha no semblante a certeza que o sexo intenso lhe pertencia.
Persistiu.
"Amor",  descobriu que tantas outras escutaram dos mesmos lábios. Do único lábio que experimentava toda noite seu sexo.
E a cada ato de luxúria foi deixando de ser a atriz principal para uma coadjuvante espectadora.
Perfeita também quando o momento pedia perversidade. Juntou a auto-estima que deixou passar despercebida enquanto magoava-se. Levantou-se com primazia e sem prevenir seu homem cometeu a crueldade.
Confiante no amor unilateral de sua Deusa, perdeu-se no seu egocentrismo.
Quando uma saudade intensa surgiu não encontrou o olhar apaixonado, o número do celular era inexistente e todos os e-mails voltavam com uma punhalada no peito.
Como se ela nunca tivesse existido.
Sem a chance de uma chance. Encolerizou-se em seu ego.
Sem perdão, sem voltas. Nem o consolo de uma última lembrança.

Porque não sabia quando foi a última vez. Ele nunca ouviu uma voz reclamando ou um olhar reprovador. Mas o silêncio que tanto dizia e a ausência daquela que muito tarde descobriu amar, não poderia ser pior castigo.

E agora não tinha quem desprezar...

POSTADO ORIGINALMENTE DIA 29/04/2011