quinta-feira, 29 de outubro de 2015

COMIDINHA DE FIM DE NOITE



Meu avô, descendente de Italianos, da Calábria, sim, de pele morena queimada do sol e sangue quente. Como se não bastasse a meia dúzia de filhos que teve com a esposa, garantiu mais três com a amante. O charme quase inexplicável de um homem simples e de meias palavras bastava para que seduzisse a mulherada.

Naquela época literalmente só pensava com a cabeça de baixo. Foi dono de uma linha de ônibus, minha tia diz que era a Reunidas, mas minha mãe insiste na Garcia. Enfim, foi pioneiro em algumas cidades como Astorga e Intervetora quando colocou as linhas de ônibus para funcionar. Fez o trajeto de Penápolis para Bauru.

Mas enquanto perdia-se em orgias seu sócio lhe passou para trás e perdeu tudo.
Veio morar em Curitiba quando já tinha formado as famílias, mas antes um fato "interessante" lhe aconteceu ainda em São Paulo.
Em conversas de negócios costumavam escolher restaurantes cheios, onde tivesse muita mulher bonita para que pudessem admirar. Matreiro, meu avô enxergou de longe a morena de lábios grossos e sorriso tímido vindo toda apressada com o cardápio na mão. Ela já sabia que seria a sobremesa.
Que mulher não adora provocar o desejo de um homem e castigá-lo na espera?
A morena pela última vez incitou o apetite de meu avô. Resolvida que seria COMIDA finalmente.
Trocaram olhares e bilhetes, o encontro estava marcado para a noite depois que terminasse seu turno no restaurante.
Ela não apareceu.

No dia seguinte meu avô decepcionado apareceu no restaurante para obter explicações da morena. Mas foi uma senhora gorda que apareceu com o cardápio na mão e de pouco sorriso.
Comeu a carne servida contrariado, já que ninguém sabia dizer onde estava sua garçonete predileta.
Talvez fosse a IRA entalada na garganta, mas o gosto da carne estava adocicado e a cada pedaço parecia espumar em sua boca.
Na manhã seguinte assistindo ao jornal a notícia lhe deu náuseas, o estômago perturbou-se instantaneamente em cólicas.
DONO DE RESTAURANTE MATA A FUNCIONÁRIA E SERVE AOS CLIENTES.
A polícia descobriu que o proprietário desesperado com as dívidas resolveu servir carne humana no restaurante economizando com a compra da carne bovina e suína.
Literalmente falando meu avô COMEU a garçonete!

INDESEJADA ATRAENTE



Era bonita, mas nem tão inteligente. Alguma coisa naquele sorriso meio ingrato e no olhar desdenhoso lhe fez interessar-se.
Perturbado, não gostou de ser ignorado.
Sentia arrepios quando seu perfume lhe alcançava os instintos. Mais irritado que excitado observava o andar sem charme e o movimento desengonçado das mãos ao gesticular.
Mania incômoda de tocar nas pessoas e o sotaque interiorano de voz masculinizada estremecia seus ouvidos.
Não perdia seu olhar nele.
No entanto ele, mesmo insolente e comodista em Musas, não conseguia desviar a atenção no jeito cheio de trejeitos da morena.
Alta demais, se surpreendeu com os próprios pensamentos imaginando as pernas longilíneas enroscadas no seu corpo.
E um único movimento lúbrico, desconsertou seus sentidos.
Quando exibida no seu micro vestido, tão curto que fazia malabarismos para sentar. Nada que estava à mostra era de uma beleza comum, E foi assim que se perdeu.
Não conteve a salivação quando a morena curvou-se no balcão do bar para escorregar entre os dedos o copo de cerveja. E os seios pularam do decote generoso. Fixou-se nos mamilos grandes e escuros que ela empurrou novamente para dentro do sutiã.
Acostumado com todos os olhares e atenções, sentiu-se naufragado em sentimentos que não conhecia. Intolerável a falta de interesse dela.
Persistente no que cobiça, iria tê-la de qualquer maneira.
E atacou a presa incansavelmente.
Mas o superego instruído da morena e a auto-estima avantajada lhe deu certo trabalho. Calejada da vida conhecia bem o cafajeste.
Mas a avidez do moço venceu a astúcia dela. Por hora.
Animado com a conquista, já tinha em mente o jantar premeditado com direito a sobremesa. Convencido de seu desempenho excelente em todos os sentidos.
Chapado, transaram como animais no cio, com direito a gritos, puxões de cabelo e tapas na cara.
Na manhã seguinte, mesmo confuso e desmemoriado acordou  fazendo declarações apaixonadas...
Ela sorriu dissimulada.
Saiu nua sob os lençóis e enquanto caminhava até o banheiro ele pode examinar a retaguarda num vai e vem.
Ainda em estado de excitação a seguiu.
E entre palavras entusiastas engoliu seco a saliva e emudeceu diante o espetáculo bizarro.
Sua morena, de voz masculinizada, cheia de trejeitos e pernas longas também urinava de pé.

RETOQUE FINAL

Ele tinha uma elegância invejável.
Paladar sofisticado. Perfeccionista insuportável. E a exigência  irritante.
Já tinha passado por 2 cirurgias no nariz, uma abdominoplastia e perdia a maior parte do seu tempo exercitando os músculos e consumindo vitaminas e suplementos.
A inteligência superava o fato de ser egocêntrico. O tornava até simpático e irrestível.
E a procura por uma namorada diante seus conceitos bizarros, era algo quase impossível.
Ou o cabelo era curto, ou seios grandes demais, ou muito pequenos, muito magra, fora do peso, baixa, alta, mais inteligente que ele ou burra demais. Ou a bunda enorme ou pequena, mal-humorada ou alegre demais...
Por vez ou outra cansava da procura e entregava-se a uma de suas transas.
Mulheres lindas, inteligentes, ricas, bem-humoradas e o mais importante gostavam de sexo, passavam pela sua cama diariamente. Mas nenhuma conseguiu fazer mais do que seu membro endurecer rapidamente. Era insuficiente para um solteirão bem sucedido e que queria sentir a paixão.

Até o dia que conheceu ela... Parou estupefacto diante de tanta beleza. Um conjunto harmonioso que faz homens, mulheres, jovens, crianças, qualquer pessoa admirar.
Cabelos longos como o corpo longilíneo. Conversa interessante e inteligente. Resolvida.
Ele tentando achar algum defeito diante daquela mulher, porque o medo era óbvio.
Contemplou a nudez que invadia seus pensamentos.
E na sua exigência exacerbada, mesmo envolvido na paixão do momento, um detalhe pormenor o incomodou.

                 

                                                                                                                                               

Seios pequenos, delicados e bem desenhados, porém pequeninos demais para o tamanho daquele mulherão. Pensou ele. "Esse "defeito" tem como consertar."
E mal começaram os encontros calorosos e a intenção em arrumar o único problema que encontrara em sua Deusa, tormentava seus pensamentos.
Delicadamente instigou a ideia que o silicone ficaria lindo e perfeito.
Os olhos grandes e verdes salientaram o brilho.
E ela entregou-se a luxúria e a vaidade excessiva.
Ele apaixonado pagou pelos seios exuberantes e maravilhosos.
Ficaram tão perfeitos que a encheu de ostentação. Logo percebeu seu poder diante a futilidade dos homens, quando a beleza física é tão ou mais importante que todo o resto.
Lindamente apareceu com um vestido vermelho de decote profundo nas costas e no busto, insinuando o volume cobiçado.
O suor tornou-se febril aumentando seu desejo.
Ele nunca soube se foi vingança...

Com a mesma coragem em lhe dizer que estava apaixonada por outro, virou-lhe as costas e nunca usufruiu dos peitos que comprou.



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sob a MÁSCARA do EGOCENTRISMO



"ENTRE O PRINCÍPIO DO PRAZER E DA REALIDADE"

Jamais conheci uma mulher como Arícia, preparada para o acaso, sabia como e quando provocar.
Aquela beleza atrevida, de traços marcantes, os olhos acompanhavam o tamanho da boca, grandes e pecaminosos.
De inteligência arrogante e ainda assim conseguia ter bondade mesmo quando era traiçoeira.

Casou-se apaixonada.
Um casamento contido a excentridades que só o casal compreendia.
Uma cumplicidade de invejar.

Adônis representava a beleza masculina como o herói grego. Despertou o desejo de todas as mulheres e cobiçou algumas delas.
Na cama da luxúria, deitou-se com suas conquistas e Arícia. Resolvida incitava-se observar o marido acariciando outro seio ou penetrando a intimidade que não sua.
Sem demora unia-se formando o Ménage.

Arícia sabia de outras mulheres mesmo quando não podia estar junto. A necessidade do sexo diversificado não a incomodava. Porque conhecia o poder que exercia sobre Adônis.
Mas sua benevolência exigiu compensação e conseqüentemente a necessidade de suprir alguns desejos.
Desejou muitos homens, eu fui um deles.
Contou-me da paixão pelo marido.
Tornei real sua ambição quando experimentou uma dupla penetração.

Mas o casamento partidário da liberdade não funcionava para ambos os lados. Porque o homem precisa da libertinagem, mas é machista o suficiente para não aceitar que a companheira usufrua da mesma ousadia.
Arícia tendo em consideração a sinceridade no relacionamento, contou ao marido algumas de suas peripécias. Na ingenuidade que o excitaria.
Sucedeu-se a provocação. Mas a reação não foi a esperada.
Adônis revelou seu lado invasivo e intransigente.

Com a mesma paixão a deitou no leito, com o mesmo carinho tocou seus lábios, com a mesma admiração acarinhou seus cabelos. A despiu com o mesmo bel-prazer. E a penetrou com maior veemência.
Não se importou com a frigidez e lividez da pele, o silêncio dos lábios pálidos. Nem com os olhos revolvidos de pânico.
Asfixiou com Arícia seu egocentrismo.