terça-feira, 17 de novembro de 2015

Confessionário da Luxúria


Missa de domingo. Tão cedo que para mim era madrugada. Meus pais arrastavam-me até a igreja. Sentavam na primeira fileira enquanto eu me escondia na última. Ficava imaginando se tinham ideia do que eu me tornei e pretendiam me acalmar com preces repetidas e entediantes.
Quando achei que ia ouvir o padre conduzir palavras num sermão, vejo encostado perto da porta um amigo que há tempo não via. Um friozinho excitante arrepiou-me.
Fixei o olhar nele, até me avistar.
Sentou-se ao meu lado e sussurrou  não tão baixo como deveria.
- Minha maluquinha preferida, tá mais gostosa que dá última vez e de vestido ainda, facilita as coisas.

Ele tinha essa liberdade, de falar assim...

Só lhe dirigi o olhar, para que entendesse onde estaríamos dois minutos depois. Saí e logo em seguida foi atrás de mim.
No confessionário, um cantinho apertado, protegido por cortinas, sujeitávamos ser vistos. Mas era o que nos fazia arriscar.
Ele sentou na cadeira que o padre usava  para escutar as lamentações de um povo com devoção fingida, pensava eu. Muitas, daquela gente, levava consigo a prepotência e para aliviar um pouco a culpa, ajoelhavam-se frente a cruz e confessavam os mesmos pecados durante décadas. Quando saíam dali, estavam prontas para cometer outras transgressões.

Ainda sentado baixou as calças com certa dificuldade. Fiquei a admirar o nu perfeito de meu amigo. Levantei o vestido e empurrei a calcinha para o lado. Sentei já saracoteando em seu membro ereto, minha boca grudou na sua para sufocar nossos gemidos. O sermão do padre no altar falava sobre o sexo antes do casamento.
E a mistura de prazer e medo, nos fez chegar ao ápice rapidamente. Levantei, tirei a calcinha molhadinha e enfiei no bolso dele. Ajeitei meu vestido, cabelos e os peitos que tinham pulado para fora do decote. Beijei-o mais uma vez e voltei para meu banco. Como se nada tivesse acontecido.

Algumas mulheres que estavam prestando atenção na vida alheia, no momento na minha, olharam-me perplexas. Imaginando se realmente tive o atrevimento. Os cabelos desalinhados não lhes davam a certeza.
Mas eu tinha uma certeza, de boas samaritanas com pensamentos tão imundos como os meus, posando de um padrão mascarado, sabia eu, que a hipocrisia se escondia por trás de toda aquela podridão.
E eu, que sou toda defeitos e cheia de erros, mas sou eu. De todos os pecados, o único que eu contrario ás leis divinas é a luxúria.

Esbocei um sorriso despretensioso quando ele saiu do confessionário, ajeitando a camiseta por dentro da calça. E para minha surpresa, logo atrás uma daquelas que carregam o rosário no peito e quem mais censurou-me no comprimento do vestido e no tamanho do decote.

Confessou-me ele mais tarde.
Logo que saí do confessionário, a fanática em fazer sinal da cruz apareceu ameaçando nos entregar ao padre. Meus pais me dariam uma surra ali mesmo.
Calou a boca dela baixando as calças mais uma vez. E tudo não durou mais que cinco minutos. Propositadamente, enquanto a moça já satisfeita e muito nervosa tentava se vestir, entregou-lhe a calcinha que estava no seu bolso, a minha.
E a calçola perdeu-se no confessionário. Nunca soubemos se foi o padre que encontrou.
E agora a carola vai nas missas com um sorriso mais sagaz. E quando me observa entrando pela igreja, é com admiração.


*Dela (Espanhola). Uma personagem real, que me inspirou nesse conto. Cada vez que me conta uma das suas experiências, mas a comparo com o livro "A CASA DOS BUDAS DITOSOS" de João Ubaldo Ribeiro. E diferente da senhora de 68 anos que narra sua vida e nunca saberemos se ela existiu, a Espanhola só não existe, como vive intensamente!

ORIGINALMENTE PUBLICADO 27/09/2013

Meu cardigã transparente



Ainda podia sentir o gosto do seu sêmen quando, um tanto desajeitado e eu desavisada descobri que toda nossa história não teria fim. E se resumia em mentiras.
Cobri a nudez do meu corpo com um cardigã transparente, como pensei que era nossa relação. Discreta, mas transparente.
Teu egocentrismo e a maneira de ver a vida me fez olhar para outros olhos, sentir outras mãos.

Mas sua percepção tardia só lhe advertiu quando as noites já eram fatídicas.
Repeti meu discurso incansavelmente. E descobri que estava certa, mesmo querendo estar errada.
Me despi de sua insensibilidade. E me deitei com tantos corpos mais interessantes.

O copo de cerveja ainda tinha a marca de um batom qualquer. Quando entre beijos e alguns tapas, senti seu membro crescer dentro de mim.
Nas paredes do motel de quinta eu resumi nossa história.
Num lugar decadente como seu caráter, entendi enfim, o que me prendia a você.

Eu estava só. Mesmo que ainda deitássemos no mesmo travesseiro e dividíssemos a conta do bar. Estava só, mesmo quando viajávamos para outra Cidade e eu preparava aquele jantar, estava só.
Estava só em toda nossa história. No tempo dedicado e na energia dissipada. E era justamente o que me trazia de volta ao seu lado. Sentir sua falta, mesmo estando tão próximo.

Mas talvez  não soubesse, que meu lado negro estava por vir. Nem sei quando começou toda minha loucura. De sentimentos desencontrados, troquei o amor pelo ódio.
Odiar era tão mais divertido. Porque eu podia lhe arrancar suspiros e talvez lágrimas, sem compaixão. Mas o ódio, é o amor adoecido.

Lembra-se daquela noite? Preparei o jantar regado de muita bebida alcoólica para seus amigos. Jogatina, um de seus preferidos vícios. A cada dose de Whisky percebia minha coragem tornar-se maior. Todos os olhares era para meu quadril saracoteando num vai e vem da sala para cozinha. Retirei os pratos para vir com a sobremesa. Meu decote generoso, estava o deixando tenso e constrangido. Mas depois de doses de Whisky, cerveja e Vodka. Tudo é permitido.

Jogados pelos estofados da sala. Ainda bebericavam, eu a mais sóbria. Voltei com meu cardigã transparente, por baixo a lingerie minúscula e sua preferida. Não importou-se com minha ousadia naquele momento.

Seduzida pelo ritmo do Blues e Jazz, diminui a luz do ambiente e iniciei de modo tímido uma dança. Enquanto ajeitavam-se, fascinados pela minha silhueta movendo-se com toda volúpia.

Despir-se da mágoa, das mentiras, da alma... Era meu desejo real. Sem hipocrisia, ficar nua para seus amigos me fez sentir o que era vingança. Amarga no final.

Nem totalmente nua e totalmente sua. Cobri meu corpo com o tecido transparente, revelei todo o sentido que nos faziam homem e mulher. Senti o desejo de ostentar meu exibicionismo. E no ritmo da luxúria, fiz minha dança, que poderia ser do acasalamento em outra conjuntura.

Enquanto descia a lingerie, os sussurros exagerados enobreciam meu ego.
Mistura perigosa com o álcool.

Esforço-me para suscitar a memória, não lembro de detalhes e nem de como tudo aconteceu. Mas sei, desejava que sentisse o mesmo ódio que eu.

Você, impotente diante do que estava presenciando. Mas desse momento lembro-me, de olhar assustado. Visualizou entre os vultos amontoados pelo meu corpo, meu semblante de sofrimento. E ali mesmo, o início do meu arrependimento.

Dia seguinte. Se eu queria de alguma maneira um motivo para livrar-me de um mal, você. Consegui, com um mal muito maior.


"Corte tudo que lhe faça mal, antes que crie raízes. Para que não fiquem vestígios." Patrícia Garbuio




ORIGINALMENTE PUBLICADO DIA 29/07/2014

Também sei falar de AMOR

* Entre elogios, disfarçado, me censuram por meus contos quase sempre ter um fim cruel. Eu sei.
Agora, vou falar de AMOR.

Amores que me dizem, me impressionam e me sufocam, porque tê-los?
Se me entrego, me desdobro e no fim, me perco.

E não há verdades, nem coragem.
Levianos com minha sensatez
Ignoram a minha estupidez.

Dentro do carro, te esperei lendo um livro. Quando me dei de presente, a dúvida era entre Lolita e Madame Bovary. Mas optei pelo Os 120 Dias De Sodoma. Minha predileção pelo Bizarro e polêmicas nasceu comigo. Quando criança reunia os amigos para contar histórias de terror. Eram invenções, mas acreditavam nas minuciosidades de detalhes perversos. Mais tarde, percebi que a escolha, para o momento da minha vida, não foi a melhor. Vomitei muitas vezes, nessa leitura bizarra. Talvez Marquês de Sade, tivesse chocado, por mostrar o lado podre dos humanos. Da forma mais repugnante.
Mas não deixei de devorar romances como Madame Bovary e Lolita. Até minha maneira de amar, é diferente.

Tamborilei os dedos finos no volante, quase meio-dia e senti uma gota de suor escorrer entre meus seios. Mais fartos nos últimos dias. Não imaginava qual seria sua reação.

Apesar dos olhos de menino, não entregavam sua real idade. E o jeito de beijar o canto da minha boca foi o que me fez olhá-lo mais demoradamente. É que a vida me ensinou ser mais complexa. E que nos mínimos detalhes, segredos se ocultam. E escapar do controle, só na hora de amar.

Parei o carro longe da cidade. Queria uma conversa distante da loucura do dia a dia. Mais perto do canto dos pássaros, eu tinha a paz que precisava naquele momento. Controlei a emoção da voz. A voz que tinha novidades para lhe dizer. A voz que você gostava de escutar no fim da noite, lhe seduzindo na sua canção predileta. "How Deep Is Your Love" - Bee GeesSempre lhe disse que tu és um velho num corpo de menino. E você ri pensativo. Porque sabe que é verdade! Quem aos 15 anos já mora sozinho, paga as contas e sustenta um Pastor Alemão?

Cinco anos mais tarde nos conheceríamos no bar que uma vez por semana eu soltava a voz nessa canção.
Fala de um amor profundo, de um mundo de insensatos e somos eu e você. É o que importa.

Sou sistemática e você perfeccionista. E isso nos faz um casal de diferença grande de idade mais esquisito, mas o mais perfeito. E mais cinco anos se passaram. Agora nos seus 25 anos pondera cada palavra antes de falar e me enche de surpresas. Mentalidade de um homem de verdade, desses quase em extinção.

Eu iniciei nossa conversa cantando Rita Lee. 
" Amor é um livro
   Sexo é esporte
   Sexo é escolha 
   Amor é sorte"

Você não me deixou terminar, tão pouco contar a novidade. Me roubou um beijo e com a mão sobre meu ventre me surpreendeu mais uma vez. Já sabia. 
Observador. Atento. Uma vida a dois, nos leva a uma transparência quase absoluta. Descobrimos caprichos e a rotina do outro. Nos entregamos e por vezes, irritamos. Ou nem tanto. 

Esperou pacientemente que eu confirmasse sua suspeita. Seus olhos e o sorriso largo encharcado pelas lágrimas, surpreendeu-me com a alegria exagerada. Me senti amada.
E ali mesmo nos possuímos. Com menos agressividade que o de costume.




Eu sei, para você o final feliz começa tradicionalmente com a família perfeita.
E eu jamais me encaixaria na sublimidade. Não tenho limites para me entregar, desde que minha liberdade não esteja a perigo. E ela estava.

Não podemos ter tudo que desejamos, lhe dei a bênção de ser pai. Mais que isso, sufocaria minha necessidade de ser eu. Estava na hora da mudança. Não o despejei da minha vida, nem do meu coração. Só do convívio debaixo do mesmo teto. Pela primeira vez não me compreendeu. Seu amor não era incondicional. E talvez eu seja mais egoísta que afetuosa. Nada impressionável e muito impressionante.

"Entre as águas que me deixaram nua e quase sua. Mergulhei sem saber, qual seria meu fim! E mesmo assim... Eu era sua, de um outro jeito, mas eu era só sua..."



Ausência de 7 meses. Carência tolerante e relevante. De turbilhões de pensamentos. Idéias delirantes. Raiva incompreendida. 

Você chegou, quando nossa criança já respirava o mesmo ar que nós. Notei o semblante   marcado por sulcos recentes. A ruga mais profunda entregava-me que enfim, eu tinha seu entendimento.

Beijou minhas mãos e num abraço tão apertado, como meu coração. Pediu perdão.
Corremos riscos todos os dias. E eu precisei aventurar-me para ter a certeza.
Certeza do "para sempre" e não do "momento".

Meu amor por você, mesmo cruel, te revelou que sua certeza não era a mesma que a minha. 
Encostou os lábios na nossa menina demoradamente, agora único vínculo entre nós.

E no instante seguinte, já sorrindo, continuou seu caminho de mãos dadas e não com as minhas...

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 24 DE ABRIL DE 2014

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

SEM ROSTO


Na mesma cama muitas se deitam.
Deleitam-se.
Hoje sei que nenhuma tem a minha estupidez.
Nem meus olhos silenciosos
E loucos os que não tem minha lucidez.
E nesse jeito perigoso de aceitar
Vou me desconcertando para não tentar.
Homens daqueles que derrubam minha sensatez,
Donos de um jogo que não sei jogar.
Conhecedora da beleza que atrai e trai,
Presa a um vício de manipulação
Arrastamo-me fingindo a mesma adoração.
E na procura meus olhos perdem-se...
E silenciam-se novamente...
Mas jamais desistem.

"Aquele" que acompanhe minhas loucuras, saboreie meu paladar, me embebeda com seu líquido, me torture com suas juras. Valorize meu exagero e não economize suas mãos. Aceite palavras sem nexo e acredite na minha fidelidade. Que aproveite minha bondade e valorize minha paciência.

Meus olhos ainda o procuram...

- Publicado originalmente dia 23 de janeiro de 2012 - 9:12 da manhã

UMA ÚLTIMA VEZ



Vem...te faço uma massagem.
Deita no meu ventre, quero sentir sua tensão.

Afundou-se entre minhas pernas
ajeitando-se carinhosamente.

Eu nua, naquele momento sua
Deixei os seios caírem sobre seu rosto
Enquanto minhas mãos deslizavam seu tórax.

Indo e vindo, movimentos sensuais
Acabei esticada sobre seu corpo.

Meu erro, foi deixar você pensar que era para sempre
Meu amor é tão volúvel e repugnante.

Vem...
Recostou a cabeça no meu ventre
Deslizei meus dedos energicamente em cada músculo do seu corpo.
Seus lábios massagearam meu sexo
Mas, não mais meu ego...

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 15/10/2013

domingo, 15 de novembro de 2015

TEU GOSTO NO MEU ROSTO

Me abrace contra seu gozo

E me tenha extravagante
Cheia de risos, imensa de dor
Bruta de amor.


Meus olhos também nos seus
Meus lábios contra os seus...

Entre meus seios o seu membro
Imponente
Rebentando de prazer.

E o deleite agradável
Seu perfume voluptuoso

Entrega-me seu líquido
Quente, revigorante!

Lava-me a boca
Com seu gosto no meu rosto!

PUBLICADA ORIGINALMENTE EM 03/03/2010

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A FOTO

"Eu escrevo de tantos jeitos, de frases soltas, poemas eróticos a contos históricos. Mas quase nunca tem haver com meu peito cheio de dores e do meu batom do mesmo tom... que meus amores".

Ele pediu, com os lábios no meu peito, mas com todo jeito,
Para imaginar o que ainda não aconteceu...
Numa amizade que dissimulávamos que o tesão não existia. Caminhar no fim do dia.
Combinando como seriam as fotos, retratadas sem roupa, mostrando o SEXO que ele veria antes mesmo de tocar.

Grudou em meus lábios na primeira oportunidade. Mostrei os seios, toquei seu membro, mas nada passou de um passeio no domingo ensolarado.
Talvez fosse assim o fim. Nem mais e nem menos.
Por um ápice, o desejo. Mas o tempo desconcentra. Esfria.

Depois de tantos desencontros, enfim a tarde se prolongou até a noite.
Uma entrega extravagante. Aconteceu de repente, na segunda-feira impertinente.

Vem... quero te sentir dentro de mim.
Olhou-me, daquele jeito um tanto desconfiado.
Nunca me falaram assim...

Eu preocupada com o tamanho dos meus seios, e ele concentrado na minha bunda.

Memorizando cada momento e unicamente
Cada pose.
Os flashes disparados em sua mente.

Fiz o que seu olhar me pedia
Me pus na posição que ele mais queria.
Para que a foto fosse registrada.

E consumada.

.

"Viva com intensidade cada momento, ele pode ser único"

A JANELA DA MANSÃO




Vanessa não tinha desapegos. Aos 18 anos já controlava sua fortuna e seus desejos.

As janelas proeminentes do seu quarto facilitavam ao João, o caseiro, presenciar suas obscenidades. Não fosse um homem cheio de histórias para contar, ficaria mais chocado que excitado com Vanessa.
Deliciava-se quando ela convidava a amiga morena de seios fartos para dormir na mansão. Bastava os patrões anunciarem que iriam viajar e um comichão lhe subia pelo corpo.
Seu canto, em frente à piscina e ao lado do salão de festas tinha vista direta para as imensas janelas que Vanessa fazia questão de deixar abertas, só o voal cobrindo. Deslumbrava-se com a silhueta das duas meninas dançando ao som de algum sucesso da época, meados dos anos 80. Notava-se a nudez quando os bicos dos seios se punham eretos e altivos nos lábios uma da outra.
João tinhas as mãos calejadas, mas era o corpo queimado de sol e robustamente delineado que mais atraia Vanessa. Ela o instigava de todas as maneiras e até então ele só observava, até dar câimbra nas mãos.
Um dia Vanessa abusou da beleza. Dessa vez nem o voal atrapalharia a visão. Postou a cadeira de balanço estrategicamente. João conseguia sentir, mesmo a metros de distância, o desejo em toda aquela nudez. Sentada sem pudor, o livro entre os seios, dissimulada. Seu interesse não era na leitura.
Ele foi aproximando-se, sem mais paciência. Ligeiramente levantou-se e caminhou nua pelo longo corredor. A cadeira ainda balançava quando João pulou a janela e entrou na casa. 
Seguiu o feromônio. Parou na porta do quarto proibido, de cama arrendondada, tentando descobrir até onde ia a perversidade da Vanessa.
Ela se ajeitou na cama já de pernas abertas. Na cama dos pais não seria a primeira vez. Ele esqueceu o medo e desflorou a musa dos seus encantos.
No dia seguinte, os pais de Vanessa retornaram. Não era a primeira vez que interrompiam uma viagem porque um empregado era encontrado boiando na piscina.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ATÉ QUE PROVE O CONTRÁRIO, ELE COMEU TODAS



Juarez não teve sorte com o nome, apresentava-se com alguma dificuldade para as garotas. Até descobrir que nome não importava para a maioria delas, mesmo porque, no dia seguinte ninguém se lembrava de nada.
- Nós transamos?
- Onde estou?

Vestia-se com certa irritação estendendo a calcinha e o sutiã para a extraviada. Seu sorriso sarcástico respondia.

E foi levando assim, cansado daquela ausência depois do sexo, mas o estoque de camisinhas ainda acabava com certa rapidez.

Até aquele dia.

Quando nem a chuva fina atrapalhou seus planos. No barzinho que os amigos escolheram chegou um tanto desanimado. Mas não foi o som de Jimi Hendrix que o animou. E na brincadeira de caçar, Juarez pela primeira vez foi caçado. Envolvido na silhueta à sua frente, não conseguiu desviar o olhar dos seios dançantes, fartos, pele branquinha. Imaginou o bico rosado. Ela se aproximou de mansinho, como uma leoa atrás da presa.

Sob os lençóis, sóbrio como nunca esteve, lamentou o sono profundo da Deusa. O estoque de camisinhas ficou intacto naquela noite. Mas o dia seguinte não foi tomado pelo vazio.
- Nós transamos, Juarez?

Estendeu a lingerie e a galega de pele macia compreendeu, respondendo com um beijo quase apaixonado. O segundo encontro aconteceu não tão logo quanto desejou. E desta vez ela lembraria mais do que seu nome...

Depois de tanta selvageria, algumas camisinhas decoravam o tapete.
- Nosso primeiro encontro foi tão orgástico como este? Perguntou curiosa, com um brilho intenso nos olhos.
- Igualmente delicioso! E desta vez nenhuma camisinha se rompeu.
- Hum, isso explica porque estou grávida de você, querido!

"Jamais diga uma mentira que não possa provar."
Millôr Fernandes
Originalmente publicado em  30/03/2012 no  MiniContos Perversos

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

RISCOS E RABISCOS


                                     Encontrado em salmaashraf.deviantart.com

De repente foi ficando cada vez mais fácil aceitar.
Todo e qualquer pesadelo que viesse do seu lençol.
Lembrei o que eu fazia enquanto me despia. Sem erros. Sem medidas. Só uma penumbra. Cobria retorcidamente nossos corpos.
Ele rabiscou meus olhos num pedaço de papel, sem a mesma intensidade do mar.
Escondido do lado esquerdo do peito carregava meu segredo. Nem à minha sombra revelei. Com medo que o dia chegasse mais rápido. Apertei meus lábios contra os seus, tentando calar-me do que eu tinha que contar.
Mas a vontade de entregar-me superou razões.
Me perdi entre seu sexo. Tudo agora tinha nexo, menos o fim.
Lambuzei-me do seu líquido esperando seu perdão no gosto tão amargo.

Nem a lua refletida na Iris dos olhos castanhos sumiu diante a verdade, porque as lágrimas não surgiram. Quanta dor poderia ser evitada se eu não tivesse caráter.
Respeitei o silêncio ressentido. Nenhuma palavra poderia ser dita. Só um gesto foi a certeza da despedida.

Um beijo carinhoso em meu ventre. Naquele que sabia, não poderia ser seu filho.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

FAKE

Fingia tudo tão perfeitamente.
A foto na internet só insinuava seu melhor ângulo. Os lábios bem pintados não ficavam tão sensuais quanto a silhueta distorcida, sabia exatamente como provocar.
E aqueles que a esperteza e inteligência é um dom maior. Aceitavam a provocação.
Conversas soltas, sempre através de um monitor. E o desejo aumentava com a imaginação.
Continuou a fingir. Sem mostrar a bunda, é fácil ser o que não se é.
Simulava um bom papo, a mulher que tudo quer e tudo sabe. Subestimavam sua inteligência, porque gostosas não pensam para aqueles internautas cafajestes.
Tão perfeita que as palavras convenciam. Na web cam o exibicionismo desses homens de alto apreço não a excitava, mas divirtia-se.
Submissão masculina não é um fetiche. Não para ela. A Deusa de tantos internautas. Com seus mistérios conquistou a confiança de cada um. Dissimulada, enquanto observava o exibicionismo deles pela tela, mandava a imagem diretamente para quem quisesse ver.
Arrumou os óculos pesados sobre os olhos, tomou uma garrafa de extrato de noz de cola e voltou para o balde de pipoca enquanto ajeitava sua gordura mórbida na cadeira.





                                                        Foto: Australian artist Kristy Milliken. 

                                                       Originalmente publicado em 24/10/2011

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

VESTIDA DE BLUES


"Tantos homens me desejam e nenhum  me seduz. Sedução não é apaixonar-se. Mas esse dia sai vestida de sedução e pronta para matar, em caso de necessidade."

Tamborilava os dedos sobre a mesa de bar. Impaciente.
O copo nunca vazio, levou aos lábios tantas vezes eu observei seu rosto.
Excitou-me sua ansiedade. O ambiente a meia luz, o cheiro de pessoas alcoolizadas ao som do blues e os Posters espalhados pelas paredes prendiam minha atenção.
Jimi Hendrix sorriu para mim depois do terceiro copo de Whisky. Levantei-me como uma gata no cio.
Não pude conter meu corpo, que movia-se como orgasmos múltiplos ao som de Janis Joplin.
Mercedes Benz me encorajou a soltar a voz.
Olhei mais uma vez e ele cantava comigo.
Aproximei seu charme ao meu e arranquei o cigarro de seus lábios com um beijo. Odeio o cheiro da nicotina, mais seu perfume incomodava mais meus sentidos.
Seduzida eu? Porque os olhos do homem a minha frente não me davam a atenção que estava acostumada e nem seus lábios me pediam mais um beijo.
Algo estava errado. Cai na armadilha que eu mesma preparei.
Seus olhos brilharam como os meus, mas a ira era só minha.
A ruiva de cabelos cacheados atravessou o bar deslizando com suas pernas longilíneas num vestido bastante generoso.
Direta no meu alvo, o cumprimentou com um beijo sem pudor.
Fiquei como um abutre ao redor da caça. Não ia desistir, nem que a ruiva tivesse que entrar na história para eu conseguir o que desejava.
Na  pista, as luzes coloridas anunciavam que era hora de continuar minha dança. Fechei os olhos e deixei o corpo falar por mim. Mostrando toda e qualquer pretensão.

Enfim tinha conseguido a atenção, troca de olhares deles, entre cochichos me seguiram pela pista.
Aproximaram seus corpos ao meu. Senti lábios lambuzados de batom procurando os meus. Não era exatamente o que queria, mas retribui fingindo gostar.
Ele agarrado ao meu quadril inalava o perfume de meus cabelos, quando virei-me procurando mais uma vez sua boca.
E naquela dança orgástica. Não nos incomodamos com a platéia.
Só sai do êxtase quando a música parou. Estava ocupada demais sendo bolinada.

O globo de iluminação, sem aviso prévio desprendeu-se do teto e caiu direto na cabeça da ruiva.
Senti o sangue espirrar em minhas costas. Virei-me em câmera lenta e a cena me causou náuseas. Esparramada no chão, seu cabelo ainda mais vermelho. Em volta as pessoas apavoradas, ele em estado de choque e eu... eu não consegui me conter e um sorriso me escapou...

" Imaginação não há limites. Transformar um fato verdadeiro em conto, juntar o real ao abstrato. Porque confundir me atrai. De tudo, só posso dizer que realmente presenciei numa balada em Curitiba um globo de iluminação despencar na cabeça de um moça."

MENINA MÁ




Maria não nasceu propriamente num berço de ouro, mas cresceu com exuberância nos quadris.

Quando ainda dormia de calcinha arrumou um namoradinho robusto, não se perdia nos músculos porque sua genética era grande.

Desagradou a família. Mas era o amor da sua vida. O tempo foi passando e a vaidade e necessidade de conforto aumentando.
A inocência tinha se perdido há muito e a astúcia de uma mulher madura gritava nos olhos azuis.

Maria não desperdiçaria a beleza herdada da mãe com uma barriga flácida encostada num tanque. Mas e o namoradinho sem cérebro era necessário em sua vida.

Não foi difícil arrumar o marido. Doutor e apaixonado. Vinte anos mais velho. Perfeito. Sem o viço da juventude não acompanharia a jovem e bela esposa. Maria tinha quem desse conta do seu ímpeto exagerado.

Manipuladora, seu joguinho de sedução com o marido sempre o deixava louco. Bastava sentar na cama, rostinho desavergonhado. Abria as pernas sem desviar o olhar. A mão delicada puxava a calcinha para que o Doutor tão acostumado com florzinhas admirasse a mais perfeita.

E pronto. Não precisava muito e o marido todo orgulhoso balançava o membro esporrado.

Maria satisfeita com a satisfação do marido. Pulava da cama e voltava à calcinha para o mesmo lugar, enterrada até o útero.

Com um beijo habitual despediu-se do marido e foi para sua MALHAÇÃO.