sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Alguém sem reticências


Se não me levar para jantar e nem souber cozinhar, então admire-me enquanto preparo a refeição vestida só com avental. E converse comigo sobre quase tudo ou tudo que nos convêm. Olhe-me na alma com a alma, devorando-me.
Tocando-me onde mais ninguém conseguiu.

Junte-se a mim na dança ou aprecie meu corpo semi nu no ritmo do Blues, do Jazz ou até do Reggae. Porque meu gosto eclético encaixa-se no melhor!

Que goste do sossego de um lar tanto quanto eu, que tenha filhos ou não, de quatro patas ou não e ame os meus como os seus.

Me leve ao orgasmo com seu bom humor.

Ah! E tem o dia da semana que é só meu! Porque vou me mascarar e andar pela casa de um jeito proibido de me ver! E você vai curtir o que te faz bem, sem hora para voltar.

Porque quando voltar, vou te cansar até de madrugada.
E ainda não satisfeita, vou te acordar do jeito mais gostoso!

Despida além da cama serei toda sua, com defeitos, manias e qualidades. Mas toda sua!

A quem vou chamar de amor, aconchegue-se com transparência. Livre de interesses.
Porque não te darei popularidade, meu status é a simplicidade.
A singularidade do meu "eu" vai te torturar até o clímax.
Porque sem limites para amar tudo é permitido.
Se esse amor e somente amor que tenho para proporcionar não te complete...
Não desperdice seu tempo e nem o meu.

Tenho  jovialidade e a maturidade.
Mas talvez tenha mais sensualidade no meu jeito de ver a vida.
Não sou impressionável e muito racional. Pouco importa o carro importado se a mente é vazia e não falar de amor e com amor.

Quero alguém que veja além! Perceba a maravilha nos pequenos momentos e gestos simples.
Porque na conjuntura será sempre inesquecível!
Não perco tempo quando posso ganhar horas ao seu lado!

A favor de orgasmos fora de hora e em lugares insólitos.

Que deixe muita saudade com cada ausência.

Que eu me apaixone todos os dias e nunca me perca de vista. Vou traduzir-me num abraço apertado, no beijo apaixonado e no sexo bruto. Sem "não me toque" e muito "toque-me".


Exagere comigo fazendo amor e economize o tom da voz. Porque da sua boca quero só prazer!
Quando nossos corpos se encontrarem para a troca de energia, ainda no silêncio vou gritar para que eu escute e acredite no amor maior, VOCÊ. Sem reticências e sem ponto final.




                                                                                                                                                                                                                                                            

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A tal da felicidade virtual


FOTO:IVETTEIVENS.COM

Antes mesmo do amanhecer, quando o sol ainda nem apareceu no horizonte Nicole já se conectava ao seu celular, ritual diário. E isso significava a todas as redes sociais possíveis.
Vício atual.

O bebê parou de resmungar para encher o pulmãozinho e lamentar num choro alto para se fazer lembrado.

Já era mulher madura, mas a maturidade estava só nos anos que depois dos trinta passam mais rápido. E para Nicole muito mais.

Sua prioridade naquele momento era arrumar os peitos numa selfie e postar com aquele sorriso apático. Queria aproveitar que estavam lindamente fartos de leite. Foi quando sentiu o líquido escorrer do bico do seio, lembrou-se de Dudu, que cansado de chorar adormeceu.

O marido, de fala mansa e pouca conversa. Tinha a reprovação nos olhos, mas viver de aparência e ostentar a vida perfeita também lhe era muito atraente.

Desde sempre, a humanidade importa-se muito com opiniões alheias e acreditam que mostrar felicidade a trará para perto de si. Mostrar o que não se tem, ser o que não se é. Talvez só atraía a inveja que não se quer!

Nicole estava cansada. Das noites mal dormidas às brigas diárias com o marido. Levava a vida fazendo comparações, fundando-se em felicidades virtuais e afundando-se consequentemente em desgostos. Impossível convergir a realidade com o conto de fadas do mundo virtual.
Enquanto seu momento materno e lindo de amamentar, iam-se embora como se fosse um peso em sua vida.

Uma amiga sorrindo e no fundo a Catedral de Notre-Dame em Paris. Outra que nem era tão amiga mas estava na sua lista de contatos, ostentava o biquini novo nas praias do Nordeste. Tinha ainda o pessoal da época da faculdade reunidos num encontro na pizzaria que tanto queria ir. Observava depressiva todas aquelas imagens em sua timeline, como num filme "Eu sou feliz e você?".
Enquanto estava lá, cheirando a leite!

Segurou Dudu no colo, abriu a blusa e deixou os seios à mostra. Talvez admirava-se ver seu bebê mexer a cabecinha á procura do peito. Talvez gostasse da sensação de sentí-lo lhe sugando. Talvez amasse tudo aquilo muito mais do que queria.
Porque num mundo que regras são impostas por uma sociedade fútil e de valores inversos, não se enxerga a felicidade nas coisas mais simples...

A foto um tanto sensual no perfil tinha a frase " É que a felicidade invade nossas vidas todos os dias!"

A vida perfeita. A perfeita vida hipócrita.
Depois da foto, nada mudou. O vazio ainda continuou no peito oprimido e no sorriso pequeno.
Enquanto em seu colo ninhava o que tanto procurava... No carro importado, na casa com piscina, na jóia, naquele sapato da última coleção, no peito siliconado, no egocentrismo.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

My Boyfriend forever


                                                      Foto Pinterest

A tatuagem nada discreta, tomava conta das costas. Reconheci a espada tribal. Entre tantas pessoas naquela praia, nem o sol ofuscou sua imagem aos meus olhos.
Talvez a carência tenha feito eu exagerar na admiração. Mas naquele momento, não consegui tirar os olhos dele. De cabelos bem curtos e negros, entre um mergulho e outro e percebi seus olhos procurando os meus.

                                                                       ***
Fazia tempo que estava numa busca incansável por uma espécime quase em extinção, em aplicativos de namoro, bares e botecos. Mas só encontrei "aqueles" que nos veem como um pedaço de carne em exposição ou uma boneca para enfeite e sem nenhum tipo de sentimento. Procurei nos amigos dos amigos, frequentei  missas, cultos e até sessões espíritas. Nada.
Porque a vida é assim, as coisas acontecem quando estamos distraídos. Quando menos esperamos, quando deixamos o tempo passar sem pressa, quando não estamos obcecados.
                    
                                                                       ***

Era um feriado e nem tinha pensado em ir para praia até minha amiga praticamente me arrastar para as areias do Leblon. Seria interessante dar uma cor mais saudável ao meu semblante, que nos últimos tempos andava um tanto melancólico.
Soquei algumas roupas na mala, as melhores e menores e voamos.

Já na praia nos concentramos próximo ao um grupo interessante de rapazes, na verdade fui atraída pela tatuagem tribal. Esparramada na areia, cuidando para que a posição favorecesse meu abdômen e que os seios ficassem lindamente pouco protegidos pelo tecido do biquíni. 
Mulher é assim, quer sensualizar até quando é indiferente. Não era o meu caso. Deixei bem claro meu interesse, tanto que não demorou muito para a tatuagem vir ao meu encontro. 

Eu não me fiz de arrogante e falei com o coração. 
Sem jogos e máscaras. 
Porque entendi quase tardiamente que se mostrar exatamente como se é, sem disfarces. Mais cedo afastamos os que não nos serve, mas também aproxima os que nos cabe perfeitamente.

Estava eu com a parte do meu corpo mais exuberante para cima, tinha desamarrado a parte superior do biquíni para evitar a marquinha nas costas, quando percebi que uma sombra crescia por cima de mim. Virei-me protegendo os seios com a canga e  avistei o mais belo sorriso. Retribui com um sorriso ainda maior. Ele pediu licença e ajudou-me com o biquíni. Senti suas mãos encostando em minha pele enquanto tentava amarrar. Arrepios bem significativos tomaram conta do meu corpo, sua respiração estava tão próxima! Lembrei-me naquele momento, que nunca sentira algo parecido. E o medo tornou-se meu companheiro.

                                                                   ***
Medo, na medida certa é um sentimento necessário. Nos ajuda a ser cautelosos, nos mantém alertas. O que não podemos é transformá-lo em pavor. Quando entramos nessa vibração, paralisamos e comprometemos nossa autoestima.
                                                                  
                                                                   ***

Incrível como nos reconhecemos pela alma, conversamos como velhos amigos. Gostos semelhantes, amigos em comum e até frequentávamos os mesmos lugares. Sim, Vim de Curitiba para encontrar o amor da minha vida no Rio de Janeiro! Um Curitibano como eu, meu vizinho. E as coincidências não pararam.

Não citarei nomes, porque essa história  pode ser de qualquer um. Acontece a toda hora, todos os dias. 

A conversa prolongou-se atá à noite, no luau à beira-mar. Seus amigos fizeram a fogueira, as pessoas iam se juntando e aquele clima romântico foi eternizando-se em minha memória. Minha amiga estava feliz, vi no jeito que dançava. 
Tive a certeza, mesmo em poucas horas, que ele era o dono do meu coração quando aproximou-se com seu violão. Talvez tenha lido meus pensamentos e com muita habilidade, já nas primeiras notas reconheci a minha música preferida. A voz rouca, fez a imaginação correr longe. Cantou toda a melodia com os olhos fixados aos meus.

*Quando Deus te desenhou
 Ele tava namorando
 Quando Deus te desenhou
 Ele tava namorando
 Na beira do mar
 Na beira do mar, do amor
 Na beira do mar
 Na beira do mar, do amor...

A noite virou madrugada e acabamos amanhecendo nus em algum lugar da praia. Privados do álcool, porque queríamos lembrar de cada detalhe. 

                                                                  ***
Não pensei se era cedo demais para a nossa primeira vez, eu queria que fosse especial! E resolvi simplificar as coisas. Só saberia suas intenções com o "depois".
O tempo nos diz muita coisa. Porque só conhecemos a nós mesmos e muitas vezes agimos por impulso, pelo momento ou por interesses.

                                                                ***

Nos afastamos de todos a certa altura da madrugada, ainda podíamos escutar a música, "Me namora", sugestivo na ocasião. Segurou em minhas mãos e me arrastou entre as pedras. A lua cheia exibia-se linda, tinha seus mistérios e eu também.




                                                       Foto Pinterest

Deixei a canga cair tão discretamente que ele só percebeu quando meus seios apontavam soberbos em sua direção. Não me despi totalmente. Mas totalmente me despi de qualquer preconceito, da hipocrisia e do estereótipo da sociedade. 
Me mostrei inteira e verdadeira. E diferente de outros, ele me enxergou. 
Tão excitado quanto admirado, sentou-me na pedra e roçou os lábios em meu sexo. Olhei para o céu repleto de estrelas e vi o reflexo da lua nos alcançando. 
A penetração só se fez quando nossos corpos cansados da luta corporal caíram exaustos na areia.
Foi tão intenso, que nem percebi quando um grupo de rapazolas cheirados a pó aproximaram-se. E um deles comentou: "Tem uma baleia encalhada na areia"
Mas nada podia apagar o êxtase do momento.

Nunca fui uma modelo de revista e nem manequim de passarela.
Só resolvi me dar uma chance, aceitar-me, arriscar!
E por isso "ele" me enxergou.

Confessou-me: Seu sorriso é lindo, mas sua confiança deixou-me curioso. Caí na sua armadilha e nem pretendo fugir!







* Trecho da música Desenho de Deus de Armandinho, muito tocada em luau. Perfeita para os enamorados.

* Me namora - música de Edu Ribeiro






segunda-feira, 21 de março de 2016

Entre viver e morrer



Eu não tinha dúvidas quando depositei minhas mãos nas suas. Mas elas apareceram quando seu jeito de me dizer com os olhos pareciam um Adeus.
Recoloquei  minhas mãos em seu peito. Precisava sentir um coração, que não o meu.
Porque ele pulsava muito mais quando eu te olhava.

Eu tentei lhe prender pelo ventre e lhe mostrar que das minhas loucuras, existiam verdades.
Mas o que ainda não sabia, minhas ilusões eram totalmente egocêntricas.

Não percebi quando se soltou da minha cintura. E me perdi à sua procura. Procurei em cada olhar feminino mais próximo, em cada boteco de esquina. Em toda música que falava de amor e ódio. Na caixa postal vazia. Vasculhei as redes sociais, fui em todos os jogos de futebol e passei noites olhando as estrelas.

Nada foi em vão, nem tempo perdido. Porque tirei dos olhos o véu que cobria erros e comecei a enxergar mais que meu próprio umbigo.

Te descobri em outras camas e outros (a)braços.
Sussurrei para que não escutasse, agora meu ventre exagerado perdera o sentido.
Seu jeito distante não fez questão de escutar a verdade que eu tinha.

O som de seu caminhar não tinha eco, porque não teria volta. Não atendeu à minha voz alterada dizendo seu nome. Simplesmente se foi.
Silencioso e sem remorsos.

E situações angustiantes tendem pessoas a cometer loucuras.
Minha loucura era gostar de quem não sabia amar.
As horas que se seguiram sequei minhas lágrimas pensando no fim.

Foram dias intermináveis e cruéis. Mas não era a primeira vez e nem seria a última.
Com um detalhe a mais dessa vez, não estava "só".

E isso mudou toda o fim ou começo de minha história. Temos a autoridade de construir ou destruir vidas.

E pela primeira vez senti que eu tinha o livre-arbítrio.

Optei pela vida, por construir uma história diferente. Se meu coração chorava por quem só me ensinou a indiferença. Eu tinha o poder em transformar esse momento crítico em bem-aventurança.

Meses depois, quando a razão de estar ali eu segurava em meus braços, alimentando com meu próprio corpo. Compreendi o verdadeiro amor!

Lágrimas lavaram meu rosto. Aliviada que meu entendimento apareceu à tempo. Sufoquei qualquer ódio, vingança ou tristeza e deixei livre meu coração para receber quem mais importava. Sangue do meu sangue! Meu filho.

Você aproximou-se rasteiro como um réptil, porque lhe enxergava traiçoeiro.
No passado, me entregaria em seus braços mesmo que trouxesse outros perfumes contigo.

Mas, o tempo muda, mesmo curto, transforma!

Você não estava ali pela criança e muito menos por mim. Estava pela falta de opção e pela soberba ridícula marcada no sorriso malicioso.

Logo transformei seu semblante em aversão absoluta. Provei de uma vingança que nem esperei, mas ela se fez.

Quando parou a porta que um dia bateu para nunca mais voltar, presenciou a cena mais linda que seu coração tosco reagiu. Vi em seus olhos, enamorados como nunca antes.

Eu lindamente com os seios nus na cadeira de balanço, cabelos presos e mechas soltas pelo rosto. Nosso filho em meu peito, sugando todo o meu amor.

Atirou-se em meus pés soluçando de remorso. Mas nada eu podia fazer, meu amor agora era só de um.

                                                                     ***

"Eu te dei meu mundo e você o fez solitário. Doei-lhe da minha luz e me mostrou a escuridão.
Em toda noite sem fechar os olhos, apaguei da memória um dia que pensei te amar.
Morri enquanto queria uma vida ao seu lado. Mas sua ausência trouxe-me a autoestima perdida, o amor-próprio humilhado e a felicidade nunca sentida".